Perguntas Frequentes

O que é o Abrigo?


O Abrigo é uma comunidade religiosa formada em 2015, na cidade de Porto Alegre, com o objetivo de ser um contraponto ao modelo hegemônico de igreja e comunidade de fé. O Abrigo surge para tornar-se parte ativa da cultura, da agenda e do contexto político e social da cidade, com uma teologia pé no chão, que comunidade à realidade humana e promova um diálogo entre a fé e temas de interesse da cidade, tais como: o combate à violência, o direito a expressão e organização, denúncias sobre as injustiças cometidas pelo Estado, o direito à cidade, os direitos da Terra, o combate a todo o tipo de preconceito, o resgate da dignidade humana e a proteção e a promoção dos Direitos Humanos.




O Abrigo pertence a qual denominação?


O Abrigo é em sua essência uma comunidade cristã ecumênica, formada por pessoas oriundas de diversos segmentos cristãos e por esta razão não pertencente a nenhuma denominação cristã específica.




A comunidade Abrigo e o Coletivo Abrigo são coisas diferentes?


Compreendemos a missão da Igreja de maneira integral e que a mensagem da nossa fé não está dissociada da nossa responsabilidade sócio-política, especialmente em um contexto de América Latina, marcada por profundas desigualdades sociais. Em 2015 nossa igreja fundou uma pastoral (ong), o Coletivo Abrigo, que é o instrumento que nossa igreja dispõe para diminuir as mazelas políticas e sociais da nossa cidade. Como nossa igreja tem uma consciência muito forte da sua responsabilidade pública, seu papel como igreja e ong se confundem e isso é positivo, pois evidencia o envolvimento íntimo de nossa igreja no combate a todo o tipo de injustiça.




Por que o Abrigo se define como Igreja Missional?


Missional é um termo cunhado em 1907 para definir aquilo que está em missão. “ser missional é como uma transmissão encarnacionada de evangelho”; ou seja, para nós, ser missional é adotar uma postura que evidencie o evangelho a partir do testemunho de vida da igreja, suas falas, as pautas que defende e seu envolvimento com a cidade. Isso traduz muito da nossa ambição para nosso comportamento enquanto igreja e coletivo: somos uma comunidade formada por pessoas comuns fazendo coisas ordinárias, com a extraordinária intencionalidade de levar transformação ao mundo.




Qual a relação do Abrigo com a Teologia da Missão Integral?


O Reino dos Céus, conteúdo da fé cristã, não é o Reino do amanhã, mas é o Reino do além, da eternidade que irrompeu na história humana e se fez carne. O transcendente, o sentido de tudo, o Logos se fez presente na história humana. Exatamente por isso tornou-se alcançável, tangível. O esforço da teologia é o de mostrar que esta aparente contradição não trai a racionalidade, mas a aperfeiçoa. A verdadeira teologia é uma tentativa de reflexão que tenta conciliar os paradoxos e aparentes contradições da fé com a racionalidade.

A Teologia da Missão Integral (TMI) é um conceito que vem sendo abraçada por diversas icomunidades de fé e que sugere a aplicação dos princípios do evangelho em todas as áreas da vida, incentivando o evangelismo que pregue a Palavra e que ofereça assistência social, psicológica e espiritual. Citando o teólogo anglicano John Stott, o brasileiro Ariovaldo Ramos afirma que a TMI deu origem ao conceito do “evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens”, que é “compreendido como o poder de deus para a salvação de todo o que crê, assim como o poder de deus para interferir na estrutura da sociedade, para dar sobrevida à humanidade, pela promoção da justiça”.




O Abrigo tem alguma relação com a Teologia da Libertação?


Teologia da Libertação é uma corrente teológica cristã nascida na América Latina, depois do Concílio Vaticano II e da Conferência de Medellín (Colômbia, 1968), que parte da premissa de que o evangelho exige a opção preferencial pelos pobres e de especificar que a teologia, para concretar essa opção, deve usar também as ciências humanas e sociais.

Leonardo Boff, expoente da TL no Brasil e padre afastado da suas funções sacerdotais, assevera que “só podemos falar de libertação quando seu sujeito principal é o próprio oprimido; os demais entram como aliados, importantes, sem dúvida, para alargar as bases da libertação. E a teologia da libertação surge do momento em que se faz uma reflexão crítica à luz da mensagem da revelação desta libertação histórico-social.” O seu irmão, Clovis Boff, importante teórico da TL, sintetiza sua crítica em dois pontos: "a Teologia da Libertação (...) Devido à sua ambiguidade epistemológica, acabou se desencaminhando: colocou os pobres em lugar de Cristo. Dessa inversão de fundo resultou um segundo equívoco: instrumentalização da fé "para" a libertação. Erros fatais, por comprometerem os bons frutos desta oportuna teologia."

Segundo Ariovaldo Ramos, a única semelhança entre a TMI e a Teologia da Libertação é o fato de ambas serem “teologias da práxis, isto é, reflexões teológicas sobre a ação da igreja, como propagadora do evangelho, no cotidiano da sociedade em que está incrustada”. E talvez por isso a nossa relação com as duas teologias.




O Abrigo é contra as igrejas convencionais?


Não. Acreditamos que ela atende a um grupo de pessoas que não seríamos capazes de atender, assim como existe a necessidade que outros movimentos como o Abrigo surjam em todos os lugares para acolher aqueles que o modelo convencional de igreja é totalmente incapaz de amparar. Temos nossas muitas críticas aos modelos convencionais e denunciamos com veemência algumas de suas más práticas, assim como somos bem críticos com a alternativa que apresentamos.




O Abrigo tem um estatuto?


O Coletivo Abrigo tem estatuto social e diretoria eleita, muito mais em função de questões legais. Já a estrutura religiosa da comunidade é regida com base na sua confissão de fé e missão, não se organizando de forma jurídica, pois compreendemos que para ser igreja basta que dois ou três se reúnam em qualquer lugar em torno da mesma fé e missão, não havendo necessidade alguma de formalização estatutária para tal.




O Abrigo tem espaços de formação?


Sim. Além das nossas reuniões periódicas de leitura sistemática da Bíblia (em que nos preparamos antes e contribuímos durante a leitura com prévios apontamentos), exposições bíblicas realizadas pelos membros ou pessoas convidadas e aulas públicas sobre temas diversos, eventualmente realizados cursos de introdução à teologia, ministrado pelo teólogo Tiago Santos (TK).




Como o Abrigo se sustenta financeiramente?


Toda a arrecadação do Abrigo vem de doações voluntárias, de associados ou não, além da venda de produtos como: camisetas, bottons e etc. Atualmente o Abrigo não tem gastos com manutenção predial ou com funcionários, então 100% de tudo o que se arrecada tem como objetivo potencializar nossos projetos sociais e missão.




O Abrigo tem rol de membros?


A comunidade religiosa não possui uma lista de membros, no entanto, o Coletivo Abrigo, nossa pastoral (ong), possui seus associados que são aprovados em assembleia e que podem se eleger aos cargos de diretoria e possuem voto nas tomadas de decisão da ong.




O Abrigo tem ministérios como no modelo convencional de igreja?


Não exatamente. O Abrigo tem GTs (grupos de trabalho) que se organizam para atividades temporárias ou permanentes. Deste modo novas atividades são propostas frequentemente e a comunidade se desenvolve de maneira autônoma.




Como são os encontros do Abrigo?


O Abrigo tem encontros semanais para estudos teológicos, exposições bíblicas e para fóruns específicos de debates que abordam temas como: equidade de gênero; saúde mental; questões étnicas-raciais; economia solidária; direitos humanos; educação; entre outros. Cremos em uma igreja mais humana, presente na cidade, que encontra riqueza no diferente, que respeita a diversidade cultural, promove o diálogo multilateral e pensa a cidade junto com a sociedade civil e os poderes públicos.




Onde é o local dos encontros?


Nossas reuniões são informais e visam a ocupação dos espaços públicos da cidade, mas também intimistas nas casas uns dos outros. Somos um não-lugar.




Por que o Abrigo se envolve em tantos debates políticos?


Entendendo o chamado a ser uma igreja missional (ver o ponto 3), acabamos por nos envolver em meios que proporcionem uma mudança de vida para as pessoas da cidade como um todo, estruturalmente. Podemos servir de suporte a ações pontuais de cunho assistencial, mas de modo algum podemos olvidar o poder público - ou seja, poder do povo - do que é sua prerrogativa.




O Abrigo é de esquerda/direita?


O Abrigo enquanto comunidade plural é formado por pessoas de diferentes orientações políticas. É verdade, não obstante, que nossa compreensão de que as Escrituras têm preferência ao pobre e nossas pautas que envolvem a justiça social, a luta contra preconceitos e o desenvolvimento de boas práticas dos direitos humanos fazem nossos temas e os da chamada esquerda política convergirem, mas evidentemente lutamos sob bandeiras diferentes: aqueles lutam por seu ideal político e econômico, nós militamos para que o reino de Cristo chegue também ao desassistido e que ao chegar transforme todas as esferas da sua vida, não só a espiritual. O Abrigo é suprapartidário e entende que seu papel de denunciar toda e qualquer tipo de injustiça também se aplica ao estado, independente da ideologia política que este sirva.




Como o Abrigo vê a questão dos Direitos Humanos?


O Reino que anunciamos é um Reino de Justiça, sendo assim, é essencial que a igreja não só defenda como também promova os direitos humanos. “onde, afinal, começam os direitos humanos? Em pequenos lugares perto de casa. Tão pertos e tão pequenos que não podem ser vistos em nenhum mapa do mundo, no entanto, eles são o mundo de cada pessoa: o bairro em que vive; a escola ou faculdade que frequenta; a fábrica, a fazenda ou escritório onde trabalha; tais são os lugares onde cada homem, mulher ou criança procura justiça igual, oportunidade igual, dignidade igual, sem discriminação. A menos que estes direitos tenham significado lá, eles tem pouco significado em qualquer lugar” (Eleonor Rossevelt).

Compreendemos que nosso papel como igreja é que o resgate da humanidade e do direito humano, assim como a mensagem libertária que temos para anunciar a este mundo, tenham significado em todos os lugares por onde a igreja passar. Aproveite e leia sobre o que pensamos ser a responsabilidade social cristã na sessão sobre o Pacto de Lausanne.





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